A TELA

A tela parece separar o meu
quadro que está do outro lado.
Os meus pincéis vão espanando os azuis,
os verdes,os violetas.
A fina poeira branca se dilui
e o quadro se acende.

BREVE A LUA

 

Breve, a lua
vai aparecer.
Por trás dela,
fogoso,lunar,
de crinas soltas
e de selvagem relinchar,
um cavalo branco
poderei ver.
Prá bem perto 
de mim
desce voando,
eu , a lua
e o cavalo branco,
fogoso, lunar
nos perdemos no espaço
de estrelas faiscantes.

AZUL ESPAÇO

Sou caminhante nômade e ando
em esgarçantes nuvens e siderias poeiras.
Percorro espaços,escuto estrelas
e vou sondando estradas sem frontiras.

Esbarro em anjos de asas transparents,
de brilho intenso e formas tão perfeitas
mergulho inteira em tão azul esaço
e sem saber ,do próprio azul sou feita.

Essa artista e poetisa que se dilui no próprio éter, assim escolhe a justificativa de amar o azul...

Clevane Pessoa de Araújo Lopes
Poeta Honoris Causa pelo Clube Brasileiro de Língua Portuguesa.

VAGAS IMENSAS INVADEM MEU CEREBRO

Vagas imensas invadem meu cérebro E afogo-me. Vagas que vêm Sem pedir licença. Tormentosas vagas que engolem E destroem. Olho o espaço e reconheço Que somos massa Disforme, Sem vontade de aspirar Coisas maiores. A desesperança Chega. Tento livrar-me E mil braços me engolem. Ouço gemidos E reconheço Meus próprios gemidos. O passado se faz presente E assisto as minhas vidas Como num espelho passarem. Tento das cenas livrar-me E apenas a angústia Veio mesmo Para ficar.

TEMO A VIDA

Temo a vida, Temo a morte, O tempo, A alegria, A dor, A sorte. Temo a hora não vivida, O dia que há de vir, A hora da despedida, O chegar e o partir. Temo perder a esperança De outros dias viver Nada sei, ou sei apenas Que nada sou Sem saber.

SE MERGULHAS NO SILENCIO

Se mergulhas no silêncio E sentes O abismo que atrai, Que repousa, Que desliga e atordoa, Deixa o corpo físico Ficar para trás E penetra Em dimensões siderais. Vem sentir de perto A emoção De ser livre, De ser pássaro. Vem mergulhar Na escura amplidão Do anoitecer. Vem sentir de perto O brilho das estrelas, E banhar-se de luz. Vem ouvir decerto O cântico do vento, Ouvir o seu lamento, Vem. A luz da manhã já se anuncia, Torna-te azul.

O QUADRO QUE ESTA DENTRO DE MIM

O quadro que está dentro de mim É só meu Entro e saio dele Livremente. Sem passaporte, Até que o conheça totalmente. As nuvens claras ou escuras As planícies luminosas ou sombrias O anjo azul que sobrevoa O cavalo que em silêncio Passeia pelo espaço ou pelo chão. E então Uma luz difusa penetra Atrás da montanha E vejo tudo em movimento. E nele passeio, Em silêncio.

© 2018 por Izabela Menicucci Badra & Mura Duarte